Falar sobre o futuro nunca foi motivo de vergonha ou medo pra mim. Até eu não fazer a mínima ideia como ele vai ser. É mais fácil falar sobre qualquer coisa quando se tem uma noção, nem que de longe, como ela é. Ou como pode ser.
O futuro, deixou de ser uma casa que a gente constrói aos poucos pra mim. O futuro agora, se parece como uma passagem secreta em que eu tenho que me agarrar nas paredes procurando um botão ou uma alavanca que me leve a ele. E sabe do que mais? Isso dói.
Não sei se isso é o que as pessoas chamam de adolescência, mas parece que quando eu era criança eu era mais segura. Eu tinha os planos de A à Z na minha cabeça, decorados, de trás pra frente. Mas aos poucos, a vida se encarrega de nos dar amostras grátis do que é uma vida real. Uma vida aonde os sonhos, na maioria das vezes, também podem fracassar.
Os conselhos. Ah, os conselhos! Uma época, eu levava a sério. Mas hoje eu descobri que tem que fazer uma peneira em cada conselho que eu ouço, na maioria das vezes obrigada e sem direito a dar opinião. Os conselhos se parecem uma forma das pessoas se intrometerem na sua vida alegando que querem o seu bem. Os conselhos deveriam nos ajudar, e não nos deixar mais confusos do que já estamos, certo?
E sabe o que eu descobri? Que aos poucos, cada plano da infância que parecia ser infalível, vem se mostrando impossível ou insano. Também descobri que eu me tornei completamente diferente do que um dia eu julguei que seria. A pessoa que eu sou hoje não concordaria com as profissões da infância, e a criança que eu era bateria o pé com os sonhos que eu carrego na cabeça hoje. É possível um ser humano regredir? Hm.
A vida cobra e a gente tem que crescer. E o preço é caro. Não aceita prestação e nem cartão de crédito.
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